sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Entrevista Mãe de Gémeos: com Andrea Portugal Deveza

Terminamos em grande o nosso ciclo de entrevistas, com Andrea Portugal Deveza, arquitecta de paixão, blogger, mãe de gémeos por amor e mulher por vocação.
Uma mãe prática, descontraída, aventureira e sempre sorridente. Com espírito inovador e cheia de projectos.


 1.  Quando descobriu que estava grávida de gémeas como foi a sua reacção?
Acho que tive um misto de emoções, fui sozinha à consulta com aquele ar de “vou ali num instante só confirmar que estou grávida e já venho”... claro que quando a médica iniciou a ecografia e me disse “são dois” eu respondi “pois são, são já dois meses de gravidez!” ela deu uma gargalhada e disse que eram dois bebés, eu chorei, acho que também dei um grito e sorri por fim e acrescentei “posso ver?” e quando vi duas bolinhas no ecrân, embora sem perceber bem o impacto que iam ter na minha vida, chorei muito de emoção... tive medo, acho que foi o primeiro medo a sério que tive, mas no fundo senti uma sensação de “devo ser uma pessoa especial para merecer dois!”
contar ao pai foi um stress, comecei a chorar e ele pensou no pior, depois disse-lhe baixinho “são dois...” e ele respondeu “ok, tudo bem, mas não quero um carrinho de gémeos daqueles horrorosos!!” estávamos prontos para o que desse e viesse!

2.  Como decorreu o período de gestação?
Bom, não tenho outra gravidez com que ocmparar, mas a mim pareceu-me perfeita. Tive muitos enjoos nos primeiros 3 meses, se bem que como só percebi que estava grávida já com 7/8 semanas, foi só 1 mês intenso de enjoos, só me dava bem quieta e a comer pão... engordei claro, mas no dia dos meus anos, quando fiz 12 semanas de gravidez não enjoei e daí para a frente nunca mais. Passei a gravidez até aos 7 meses em Moçambique, e se agora engravidar outra vez, volto para lá! Correu tudo lindamente e vim para Lisboa tê-los porque não vinha a casa há quase 2 anos. Nasceram ás 37 semanas e embora tivesse tido a tensão alta, correu tudo lindamente... tirando um episódio...

3.  Relativamente ao parto, como foi a sua experiência? Quantas semanas tinham os seus gémeos quando nasceram? Precisaram de cuidados especiais?
Como disse nasceram ás 37 semanas, bons e altos, o M com 2890gr e o F com 2650gr. Fui de urgência para o SFX, eu a conduzir, porque tinha a tensão muito alta e lá fomos. Quando cheguei fiz uma ecografia e a médica em questão, uma pessoa que já deve ter visto muita coisa e ganhou uma certa insensibilidade ao longo dos anos, disse-me “tem um bebé morto”... nem lhe dei muito espaço para desenvolver e respondi “não é verdade, estão os dois bem”, os olhos encheram-se de lágrimas e as mãos não largavam a barriga, não raciocinei muito, simplesmente senti que não era verdade, chamei instinto, eu chamo ser mãe... mais um bocado e mais uns toques e mais uns longos minutos e a médica, repito, insensível ao máximo, diz “ah não, afinal está aqui!” até parecia contente, mas eu já não vi mais nada, chorei ocmo nunca chorei na vida e acho que lhe pedi “tire-os por favor, quero pegar neles” medo, de novo aquele medo que senti na primeira ecografia, tinham passado meses a apaixonar-me pelos dois, antes que acontecesse qualquer coisa, queria-os nos braços.

4.  Teve algum apoio após o nascimento dos gémeos?
Tive. De família, mas senti-me, confesso, muito clautrofóbica. Percebo que seja essencial, mas abafaram-me, abafaram-nos. Há anos que vivia sozinha com o A e tinhamos necessidade de estarmos só nós, com os bebés. Eu precisei de muito espaço, não consegui lidar muito bem com as ajudas, até porque não era só ajuda, era uma invasão da minha, nossa, privacidade. Ficámos em lisboa apenas 2 meses, nem isso, e quando voltámos para moçambique, voltei a sentir-me confiante na mãe que era, na mãe que queria ser. Comecei a conseguir ficar encantada com eles, coisa que com a família em cima, por mais boa vontade, não conseguia fazer porque quando tinha tempo para estar ali quieta a olhar para eles chegava mais alguém e queria tratar, pegar, fazer, mexer, cheirar, enfim... tudo a eles e nada para mim. Pode parecer egoísta, mas a mãe também precisa de muito mimo e eu senti-me mais sozinha que nunca, até passar a sermos nós e eles. Precisei dessa solidão, desse destaque para me sentir confiante que aquilo que eu queria, escolhia para eles era o melhor.


5.   Optou pelo aleitamento materno? Se sim, até quando e como conseguiu?
Aconteceu da maneira mais natural de todas, no SFX a enfermeira que me seguia no recobro onde estive 24h para ter a tensão sempre vigiada, passado nem  1h do parto chegou-se e disse “Vamos a isto? Quer?” e eu muito timidamente respondi que sim. Ia com a ideia de que uma mãe de gémeos não tem leite suficiente. Correu lindamente. Dei de mamar até aos 7 meses. Parei apenas porque quis começar a voltar ao atelier, mesmo que em parti-time, e como já bebiam biberon do meu leite alternado do em pó à noite, acabaram por nem notar a diferença. Só introduzi sopas aos 5 meses e até aos 7 só comiam almoço e leite. Foram sempre gordinhos e cheios de energia. Foi muito bom para mim dar-lhe algo tão bom, mas sempre pensei que não era obrigada a nada e para cada refeição, antes de os meter ao peito perguntava “consigo mais esta?” e lá ia eu. Introduzi o biberon aos 4 meses com o meu leite para que o pai pudesse ajudar à noite, para eu voltar a ter horários de gente adulta! Até isso o pai nunca acordava de noite, não sou uma super-mulher mas enquanto conseguisse dar ocnta das coisas gostava desse controlo.

6.  Como é o seu dia-a-dia enquanto mãe de gémeos?
Neste momento com 3 anos e quase meio, o meu dia mesmo assim ainda é a pensar neles. De manhã preparo-os para o colégio, visto, lavo, dou pequeno-almoço, comemos os três juntos, e conversamos muito. O pai enquanto isso prepara-se para sair com eles, quando estão prontos saiem os três e vão a pé pelo bairro para a escola. Eu entretanto preparo-me e saio e também a pé vou trabalhar. Tenho um horário perfeito, porque entro mais tarde e saio mais cedo. Quando saio vou pelo bairro de volta a pé e ou trato de algumas coisas que preciso tratar, ou vou tomar café com calma e vou busca-los. Sei que adoram ficar na brincadeira e eu gosto de saber que estão entretidos. Normalmente lanchamos juntos e vamos a pé para casa. Hoje em dia acho que em termos de tarefas diárias não são “gémeos” mas sim “irmãos”, mas em termos de fase de vida, agora sim sinto que sou mãe de “gémeos”, ou seja, sou mãe de duas crianças completamente diferentes mas na mesma fase da vida, com necessidade de atenção igual e vontade de expressão igual. Até há 1 ano eu acho que era tudo mais ou menso igual, o que fazia com/a um fazia com/a outro. Agora temos mini-gente!!


7.  Que conselhos daria a uma mãe de gémeos?
http://www.aspotsblog.blogspot.pt/
Acho que o mais importante para uma mãe de gémeos, que sejam primeiros filhos, sim porque existem grandes diferenças, é saber que nós somos mães e temos todas as capacidades para decidir o que é melhor para eles e melhor para nós. Ajudas são boas desde que sejam respeitados os nossos espaços, sejam eles o da família sejam o nosso individual. E finalmente que é muito importante pegar num filho apenas e ir passear!!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Será a crise o maior entrave ao aumento da natalidade?

A comunicação social deu ontem grande destaque ao Inquérito à Fecundidade 2013 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos. Entre outras conclusões, o mesmo refere que 70% dos portugueses têm menos filhos do que gostariam.

Este é um assunto que me toca particularmente. Quero começar por dizer que todas as opções familiares devem ser respeitadas, seja quem não quer ter filhos ou quem quer constituir uma família mais ou menos numerosa. Ao mesmo tempo, não é por ter três filhas que me sinto no direito de criticar quem quer que seja. No entanto, faz-me muita confusão ouvir determinadas pessoas invocar a crise como motivo para não ter mais filhos. A vida é feita de opções. E a sociedade, muitas vezes, impõe-nos essas mesmas opções. Carros novos, casas luxuosas, telemóveis de última geração, portáteis, tablets, viagens atrás de viagens, almoços e jantares nos restaurantes da moda, discotecas, concertos, cinema, livros, jogos de futebol, ginásios, runnings, etc. Conciliar todas estas actividades com os filhos não é tarefa fácil. E nem toda a gente está disposta a abdicar dos seus hobbies para ter um ou mais filhos. E isto sim, na minha opinião, é o maior entrave à natalidade. Todos nós temos prioridades mas nem todos colocam os filhos como a sua maior prioridade.

Contudo, não sou indiferente à crise que atravessamos e aos poucos incentivos que o Estado dá à natalidade. O corte generalizado dos abonos de família decidido por José Sócrates, em 2010, foi para mim um atentado. Curiosamente, estamos a falar do mesmo governo que decidiu liberalizar e financiar o aborto. E depois queixam-se que Portugal é um dos países com menor taxa de natalidade...

Por outro lado, e não penso isto apenas porque a medida me iria beneficiar, estou de acordo com os que reclamam mais incentivos à natalidade. Parece-me justo que deveriam ser reduzidos os impostos e aumentadas as deduções fiscais às famílias com dois ou mais filhos. Se Portugal quer ter um Estado social sustentável é bom que comece a tomar medidas rapidamente. Caso contrário, muito em breve os impostos dos que trabalham não chegarão para pagar as reformas dos mais velhos, quanto mais a educação, sáude, subsídios de desemprego, etc.

No referido inquérito também se falou das condições de trabalho. Cada vez mais as pessoas investem muito na carreira e pouco na família. Os que pensam de maneira diferente são muitas vezes olhados com desconfiança no local de trabalho, sobretudo quando têm de faltar ou chegar atrasados por terem de prestar assistência à família.

Por último, a licença de maternidade que, no caso dos gémeos, deveria ser maior. Aqui, a realidade portuguesa não é muito diferente de países como Espanha, França ou Itália. No entanto, comparar o período da licença destes países com um qualquer país do norte da europa faz-nos perceber como ainda temos muito para evoluir.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ensinar o seu filho a arrumar os brinquedos

Todos os dias me deparo com brinquedos espalhados pelo chão. Queremos andar e quase não temos espaço para pôr os pés. Especialmente à noite, não consigo deitar-me sem andar a arrumar tudo. Para mim faz-me confusão. O pai anda pela casa como se nada fosse (ou talvez o chão lhe pareça limpinho)...ou então se lhe digo "apanha lá os brinquedos do chão", ele reclama "amanhã não vem a empregada?"...Mas o cerne da questão não está aí. Devemos obrigar as crianças a arrumar os seus brinquedos antes de irem para a cama? Mas como, se muitas das vezes eles não obedecem e dizem "eu quero asssim", "ainda vou brincar", "eu quero-os aqui".
 
Provavelmente, surpreendermo-nos se a criança espalha os seus brinquedos no chão e os deixa desarrumados, será um dos erros mais cometidos por nós pais.
Não quero com isto dizer que não devemos ensinar os nossos filhos a serem arrumados, no entanto, ao falar com a criança, é muitas vezes necessário recorrer a uma adequada fantasia. Por exemplo, sentarmo-nos no chão com eles, participarmos nos jogos (e aqui já falei da importância do brincar com a criança em idade pré-escolar) e tentarmos ver o mundo como eles o vêem. Podemos assim dizer: "está na hora dos teus brinquedos irem fazer óó, "têm de regressar à sua casinha (armário ou baú). Deste modo não estaremos sempre a repreender a criança com "arruma já os teus brinquedos! Tens de ir para a cama!". Pelo contrário, a nossa atitude mudará se nos conseguirmos envolver no mundo das crianças e fazermos parte da sua fantasia. "Os sapatos têm de ficar juntinhos para poderem dar beijinhos um ao outro durante a noite.".
 
Segundo Hilary Page "É uma perda de tempo inútil tentar educar a criança, desde a mais tenra idade, a arrumar as suas coisas, só porque vos incomoda vê-las espalhadas à nossa volta. Ela começará a ser arrumada quando compreender que a ordem é útil para si própria e para os outros; de momento, parecer-lhe-á apenas uma forma de a privar dos seus brinquedos."


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Oração pela família no Natal


O Natal está aí, já falta menos de um mês....Este ano somos 5 e certamente será mais especial! Que este Natal traga o amor e a união entre as pessoas! Aqui fica uma oração para começar bem o dia.


Oração pela família no Natal

Senhor, diante de teu presépio
venho pedir por minha família.
Abençoa as pessoas que amo
onde quer que estejam.
Que dentro de nosso lar habite
a confiança de tua mãe, Maria,
o zelo de teu pai, José,
e a inocência de teu rosto de criança.
Afugenta de nossa casa as dores,
lágrimas e angústias causadas por
tantos Herodes que lutam por
matar nossos sonhos de paz.
Concede-nos a saúde do corpo e
da alma, para que possamos cantar
teus louvores a cada dia deste novo ano.
Que nossas portas estejam sempre
abertas para ti, nas visitas que nos fazes
em tantos rostos sofridos.
Dá-nos a alegria de tua presença em
nosso lar: o maior de todos os presentes possíveis.
Abençoa minha família neste Natal, Senhor.
Amém.
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What twin parents hear every day?



Concordam?
1. Double trouble?
2 .I bet you've got your hands full!
3. Oooh, twins!
4. Argh, what a nightmare!
5. Are thay identical?
6. Aw, i wish i had twins!
7. Oh, you´re so lucky!

Quando saímos à rua com as gémeas parecemos uma atracção turística! Posso ver? São duas meninas? São iguais? Têm casos de gémeos na família? ....
Concordam com este gráfico? Qual a vossa experiência e como lidam com a situação?

domingo, 24 de novembro de 2013

Há Festa no Palácio

O evento HÁ FESTA NO PALÁCIO, que cumpre, este ano, a sua 4ª edição irá realizar-se no magnífico espaço do Palácio Foz, situado no centro da cidade de Lisboa, nos Restauradores.
Caraterizado pela associação de vários acontecimentos: exposição e venda de peças de autor, nas mais diversas áreas – artesanato, decoração, joalharia, fotografia, pintura, retrato e cerâmica; palavras escritas e ditas; tombola de rifas; bebidas; espaço de gastronomia; animação musical; merchandising pelas instituições
As causas apoiadas – Ajuda de Mãe; Centro Jovem Tabor; Centro de Promoção Juvenil e Fundação LVida beneficiam da totalidade da receita financeira apurada. 

Trabalhos manuais para o Natal das crianças

Após o post "Recado na caderneta da Mariana" aqui fica o meu agradecimento a todas as pessoas que deixaram as suas sugestões natalícias no blog ou na página de facebook. Assim faço um resumo de algumas das ideias mais engraçadas, com imagens e respectivos links de blogs ou páginas onde os poderão encontrar!
Ainda não ganhei coragem nem decidi o que vou fazer juntamente com a Mariana, mas fico surpreendida com a quantidade de ideias originais e trabalhos maravilhosos. Mas cada vez que olho para eles penso: "será que conseguirei fazer?". E parabéns também ao trabalho de Natal da minha amiga Patrícia Sousa.


https://www.facebook.com/kidsbooknotes
Presépio com materiais reciclados





http://1e1acaminho.blogspot.pt/2013/11/atividade-em-familia.html
http://1e1acaminho.blogspot.pt/2013/11/atividade-em-familia.html
 https://www.facebook.com/craftsdiy?fref=ts

 https://www.facebook.com/craftsdiy?fref=ts

https://www.facebook.com/coisasparacriancas
https://www.facebook.com/coisasparacriancas


 
by Patrícia Sousa