A estimulação de bebés gémeos
Estimular e educar crianças gémeas não é tão diferente de irmãos de diferentes idades, mas o trabalho é em dobro!
"Em 2/3 das gestações gemelares, os gémeos
são bivitelinos, portanto não são idênticos; em 1/3 são univitelinos,
portanto idênticos. Os gémeos não idênticos são formados pela fecundação
de dois óvulos por dois espermatozoides.
Na verdade, podem ou não ter o mesmo sexo
e equivalem a duas gestações que se desenvolvem ao mesmo tempo e no
mesmo ambiente. Já os univitelinos ou idênticos formam-se quando um
único óvulo, fecundado por um só espermatozoide, sofre posteriormente
uma divisão. Logo, gémeos idênticos têm necessariamente mesma carga
genética e mesmo sexo.
No entanto, em ambos os casos, nascem da mesma gestação e, portanto
são especiais, levando em conta que o mais comum para o ser humano é o
nascimento de um indivíduo por gestação."
A estimulação das crianças gémeas
Cada criança tem um
desenvolvimento
e ritmo particulares, e no caso de gémeos não é diferente. Por ter
nascido no mesmo parto, não quer dizer que o seu desenvolvimento vai ser
igual. Pelo contrário, em geral mostram um desenvolvimento diferente.
Ainda que ambos apresentem, em linhas gerais, uma mesma idade de
desenvolvimento, é frequente ver como um dos bebés apresenta um
desenvolvimento, por exemplo, motor, mais acelerado que o outro. Por
outro lado, um deles apresenta desenvolvimento afetivo social mais
aguçado e o outro não.
No caso das nossas gémeas, já notamos isso e é bem evidente. Com 10 meses, a Luisinha já gatinha pela casa toda e põe-se em pé em todo lado. Por sua vez a Teresinha, mais calma, arrasta-se com o rabo no chão.
Quando se trabalha a estimulação com bebés gémeos, deve-se levar em
conta que apresentam o seu desenvolvimento cognitivo maior do que os
bebés que nascem de um parto simples. Esta etapa chama-se “período de
identidade gemelar” e aparece durante os dois primeiros anos de vida das
crianças, gerando um atraso no seu desenvolvimento. Mas isso não é algo
que tenha com que se preocupar, pois pode-se recuperar de maneira
natural por volta dos seis ou sete anos de idade.
Isso se deve que, desde o nascimento, as necessidades dos bebés podem
se satisfazer não de maneira individual, mas como um casal. Se um bebé
chora, deve-se atender a demanda de ambos e não de maneira particular.
Em geral, os pais de gémeos têm muitas dificuldades para considerar cada
criança em particular, como uma necessidade concreta.
Como educar bebés gémeos
Não conseguir considerar os gémeos nas suas particularidades por parte
dos pais, pode gerar uma pequena dificuldade no desenvolvimento deles. Daí devem-se respeitar alguns aspectos:
- Respeitar a individualidade do bebé. Desde o ponto
de vista da estimulação, devemos também, ter momentos diferenciados com
cada um, já que apresentarão desenvolvimento diferente um do outro.
Deve-se levar em conta sua idade de desenvolvimento e ritmos próprios.
- Outro aspecto a levar em conta é que as primeiras conquistas, no
que se refere à aprendizagem, como por exemplo, aprender a andar e falar
pode aparecer de modo paralelo, porque as crianças estimulam uma à outra.
- Quando um bebé começa a gatinhar, arrasta-ser ou andar, o outro tem um modelo a seguir que o motive a fazer algo que poderia fazer também.
- Do mesmo modo, quando um começa a balbuciar, o outro repete seus
balbucios, de modo que às vezes parece que estão respondendo um ao
outro. Esse é o momento de aproveitar para estimular a linguagem com eles.
- Por outro lado, em outros tipos de aprendizagem, como por exemplo, o
motor fino, como percepção, pode ser que haja diferenças, e um bebé se sobressaia ao outro.
Em linhas gerais existem quatro etapas do desenvolvimento gemelar:
1. A fusão gemelar (0 a 2 anos): nessa fase são muito parecidos e suas necessidades são satisfeitas ao mesmo tempo.
2. A particularidade (a partir dos dois anos): cada um começa a desenvolver seus próprios potenciais.
3. A primeira fase de autonomia (até os seis anos): a escola permite que cada criança adquira um comportamento de indivíduo completo.
4. A segunda fase de autonomia: a adolescência.
Levando em conta esses aspectos de desenvolvimento dos gémeos, não
tem porque ser tão diferente de como é com irmãos de idades diferentes,
somente porque teremos o dobro de trabalho.
(Artigo com base na Pedagoga especialista em Atenção Precoce e Educadora em Massagem Infantil Marta Veguillas Ocaña)